A negociação da foto geralmente é feita na redação. Minutos antes da saída, os repórteres conversam com os fotógrafos sobre o foco de suas respectivas pautas, ao chegar ao local da notícia a comunicação entre a equipe é constante, mas algumas atitudes podem causar alguns transtornos e provocar algumas mágoas. Sim mágoas!
Os fotojornalistas não gostam de palpites do tipo “gosto do ângulo x ou y”. Tudo funciona mais ou menos assim: repórter apura e fotógrafo clica. Já cansei de ver colegas jornalistas sendo ironizados e até maltratados por opinar negativamente uma foto ou interromper uma seqüência só para dizer banalidades que poderiam ser ditas em outro momento. Lembre-se que o fotojornalista é quem escolhe "isto" e não "aquilo". No momento do registro qualquer tempo perdido representa o fracasso de uma pauta. Afinal do que adianta ter um bom texto se não há uma boa foto?
A dica é bastante simples e é focada no bom senso. Faça o seu trabalho e deixe que o fotógrafo faça o dele, caso ocorra algo de errado com a foto ele vai ter que dar explicações para os editores, assim como se faltar algo na apuração o jornalista também terá que se reportar a seu editor. Por fim, ao chegar a uma redação procure conhecer a personalidade de todos, conheça os limites de cada um.
Repórter Priscila Rangel utilizando um netbook na hora de uma entrevista.
Não é mais novidade o fato da tecnologia 3G ter se tornado a mais promissora ferramenta de transmissão de informações. O que ainda é considerado novidade no DF, já estava disponível no exterior desde 1999. O primeiro país a ter cobertura total 3G foi o Japão em 2006. Porém no Brasil a Tim foi uma das introdutoras de transmissão de dados através da sua redes de telefonia móvel, com picos de 11/14 KBP/s (Kilobytes por segundo). Mas saindo da teoria vamos para a parte prática.
Com a expansão das redes 3G no país, a redução do tamanho/peso dos notebooks - que até mudaram de nome e viraram netbooks -, a portabilidade chegou de vez no jornalismo. Não é difícil de se realizar uma cobertura jornalística, e fazer a transmissão da mesma para os meios online quase que em tempo real. Na verdade hoje já existem transmissões em realtime. Devido a velocidade do 3G ser até boa em determinados pontos, pode-se transmitir fotos sem que a mesma seja muito reduzida, evitando assim a perda da qualidade da mesma.
Mas essa visão ainda não chegou às redações do Distrito Federal. Em grande parte dos casos nem os repórteres dos portais de notícia da cidade utilizam notebook em suas pautas externas. Ao chegarem ao local da pauta e depois da apuração eles usam o celular para passar as informações para um outro colega que permanece na redação dependendo desse contato para lançar a notícia no ar.
O ato de ligar, esperar o colega digitar as informações e confirmar os dados da vazão há uma série de prejuízos ao leitor. A visão do repórter que está na redação nunca será igual a do repórter que está ao lado da notícia, o que representa um déficit de detalhes.
Recentemente a Rádio e Televisão de Portugal (RTP) realizou a cobertura das Eleições Legislativas de 2009 a partir do uso de celulares 3G. Os 18 jornalistas usaram o Flickr (para imagens), Twitter (para textos) e Qik (videos), as atualizações aconteciam em tempo real. Talvez este seja um bom exemplo para os meios de comunicação de Brasília.
Primeiro é necessário conquistar a atenção do leitor, depois ele de fato vai ler todo o conteúdo da página. Abaixo algumas orientações que devem ser seguidas para que o texto de web tenha boa audiência.
Título da página claro e impactante
O “sutiã” deve ter no máximo uma linha
Valorizar o conceito de lead nas duas primeiras linhas, nada de “blá-blá-blá”
Escreva parágrafos curtos envoltos por espaço vazio (espaço entre os parágrafos)
Não seja redundante, nunca diga a mesma coisa de formas diferentes
Use imagens bem feitas e elucidativas
Use listas para destacar dados ou detalhes importantes
Recentemente assinei uma matéria com a repórter Priscila Rangel. A pauta tinha como objetivo levantar os problemas na estrutura dos hospitais da rede pública de saúde. Na ocasião fizemos um levantamento em quatro cidades.
O trabalho de apuração rendeu muita informação, ao final se juntássemos nossas anotações renderia duas laudas. É nesse momento que entra as dificuldades, é a hora que devemos priorizar o que há de mais relevante, e o que realmente precisa ser reportado. O que parece ser algo simples e prático se transforma em um grande dilema: todas as informações colhidas tem peso, quais devo excluir?
Ao chegar na redação fizemos a hierarquização das informações. Ao final da conversa entramos em um consenso: só entrará na matéria aquilo que realmente é novo. A preocupação com o novo garante a atenção do leitor, os problemas enfrentados pela rede pública de saúde são mais que conhecidos. Por isso devemos ousar, e sempre que possível apresentar outro enfoque nessas pautas “batidas”.
Nesta situação aprendi o seguinte: na apuração, muitas informações podem surgir, mas o repórter deve sempre estar atento para a raiz do problema. Neste caso devemos estar alerta ao conceito do lead.
“Chegar aos 40 anos com tudo em cima não é tarefa fácil, e, volta e meia, essa idade chega acompanhada de uma crise. No caso do caderno de Economia do Globo, que completa quatro décadas de existência em 2009, o aniversário foi comemorado em meio aos reflexos do maior abalo econômico desde 1929. Mais um desafio para uma editoria que viu - e mostrou - diversos Brasis. O do crescimento econômico galopante, de dois dígitos, o país dos diversos pacotes monetários, alguns de sucesso e outros nem tanto, o Brasil que superou a hiperinflação e alcançou a estabilidade, e o Brasil que vem conseguindo melhorar indicadores sociais e retomar o crescimento.”
A cobertura policial perdeu prestígio em grande parte dos veículos de comunicação. No entanto os jornalistas ainda estão na corrida diária pela busca da notícia, Patrícia Veloso é uma das jornalistas de maior prestígio em cobertura policial no DF.Em entrevista ao PDN ela fala sobre o desafio de cobrir Polícia.
Jornalistas ingleses usando proteção de guerra na produção de um documentário no Rio de Janeiro
Certo dia recebi uma pauta que tinha como objetivo levantar os problemas do centro da Ceilândia - cidade que fica 40 km de Brasília -, mais precisamente a ocorrência de camelos, buracos nas calçadas, lixo e esgoto a céu aberto.
Na oportunidade eu estava como repórter e o Vinícius Thompson como fotógrafo. Decidimos nos dispersar para charmar menos atenção e dar oportunidade para ele fazer as fotos de maneira mais tranquila.
As horas passaram eu terminei a apuração e o Vinícius nada de aparecer. Resolvi procura-lo no meio da multidão, o encontrei numa situação muito complicada. Ao seu redor estavam sete camelos idignados com nossa presença. Sob ameças eles queriam que o fotógrafo apagasse todas as imagens da camera. Para eles, as fotos seriam utilizadas para identifica-los como camelos irregulares. No entanto o Vinícius não havia feito nenhuma foto, em que aparecia em primeiro plano o rosto de nenhum deles. Porém ele em nenhum momento se coagiu com a situação.
Ao presenciar a cena, me aproximei e perguntei o que estava acontecendo, nem deixaram eu terminar de falar, me empurraram direto para o meio da roda. Naquele momento pensei que ia morrer, é impossível não pensar no pior, mas procurei ficar calmo e perguntei o que eu e o Vinícius poderiamos fazer para provar que nosso objetivo não era identificar ninguém.
Todos ficaram calados, nesse momento propus que eles olhassem as fotos na camera, e eles aceitaram. Passamos algum tempo rodeados de homens irados olhando foto por foto. Detalhe, era a terceira pauta que o Vinícius tinha feito naquele dia, então imaginem a quantidade de fotos que haviam na camera.
Seria mais fácil deixar o Vinicíus no bate boca e chamar a polícia, mas nenhum daqueles ambulantes eram marginais. Pelo contrário, todos são pais de família e precisam sustentá-las. Sinceramente chamar a polícia seria uma medida extrema. Por isso acredito que a melhor maneira de sair de um conflito na produção noticiosa é se colocar no lugar do possível agressor. As vezes você pode estar achando que não tem nada demais em fazer uma foto de uma criança brincando na rua, porém para o pai dessa criança, você pode estar querendo expor a mesma, e nenhum pai gosta disso. Jamais se imponha ou retribua as agressões, procure se proteger, negocie sempre.
O curso Abril de jornalismo oferece 100 dicas para entrevistas. Separei algumas que considero fundamentais.
6. Seja sempre profissional com o entrevistado. Não entre em intimidades. Mantenha uma ligeira formalidade.
14. Evite ficar ruminando pausas verbais do tipo "hum, hum", "o senhor sabe", "entendo", que desviam a atenção do entrevistado.
19. Contato visual é um meio de comunicação. Use-o . Olhe o entrevistado nos olhos. Se você for tímido, fixe o olhar numa das pálpebras do entrevistado, nos seus óculos ou em outro detalhe facial.
31. Tenha três ou quatro boas perguntas prontas já na hora de pedir a entrevista. Pode ser sua única chance de falar com a fonte.
33. Sua primeira pergunta deve cativar o entrevistado. Não faça uma pergunta preguiçosa, algo que o currículo dele já contém - ou que, por alguma razão, você já deveria saber.
Dicas de como fazer uma entrevista no meio de um evento
Antes de se sentir constrangido ao convidar uma autoridade para uma entrevista em um evento imagine que político é politico 24h, não tem como fugir desse fato. Eu particularmente vou por impulso, em muitos casos até percebi o susto do entrevistado (rsrs) ao perceber a minha aproximação.
Cada repórter desenvolve um estilo próprio para suas abordagens, porém alguns detalhes precisam ser observados. Antes de se aproximar observe se o entrevistado não está mastigando, conversando com várias pessoas ao mesmo tempo ou tentando se acomodar em uma mesa por exemplo. Bom senso sempre, você não obterá boas respostas se o estiver incomodando ou sendo incoveniente.
Identifique-se informando seu nome e o nome do veículo no qual trabalha, caso a autoridade venha a pedir mais detalhes, tente dar o foco da sua pauta. Por se tratar de uma entrevista em um evento, cuidado com as perguntas longas e com o número de perguntas. Como já tive uma experiência negativa quanto ao número eu aconselho que se faça poucas perguntas, entre três e cinco no máximo.
Outra dica importante, é que caso, você esteja fazendo uma pauta "negativa" sobre a autoridade ou órgão a qual ele representa, comece com perguntas lights, para ganhar confiança do entrevistado, nunca vá DIRETO ao ponto.