Jornalista é cidadão, acima de tudo. Vota. Tem opiniões. Jornalista é cidadão, acima de tudo. Vota. Não deve emitir opiniões. Ou deve? Ou não deve e faz? Ou deve e não faz? O certo é que a imparcialidade neste momento político em que vivemos – período eleitoral – é cada vez mais difícil achar os jornalistas imparciais.
Muitos por ordens, é claro. Outros por serem tão cidadãos, que a imparcialidade veste-se de “parcialidade” para dar “um toque ao eleitor”. Não importa. Jornalismo é política! E os dois, quando juntos, fazem bem. Desde que o trabalho seja realizado de forma limpa, não vejo mal algum...
Bons jornalistas
Na faculdade, fui aluno de um dos que considero excelente jornalista: Leandro Fortes. O “professor Leandro” me ensinou a escrever muita coisa. Rabiscou muito meus lides no jornal laboratório. Me explicou como “capturar” a atenção do leitor já nas primeiras linhas. Me disse para ser ético, para fazer um bom jornalismo. Foi o primeiro que disse que “eu iria longe”. Espero ainda chegar lá!
Na semana passada, senti não ter encontrado com ele, já que esteve tão perto da redação onde trabalho. Estiveram ele e Roseann Kennedy (CBN) em reunião com os coordenadores de campanha do candidato do PT ao GDF, Agnelo Queiroz.
Opinião sem revolução!
Sou defensor das opiniões nos blogs. Acho que são neles que esse tipo de mensagem devem ser emitidas. Blogs e colunas são feitos para isso, para contar, descontar, mostrar, dar detalhes, dar opiniões. Porém, opinião deve sim ser dada de maneira séria, afinal, estamos falando de jornalismo. Sou contra ao tipo de opinião sem fundamento (se é que opinião deve ter fundamento, mas enfim...) vasculhando blogs na internet, encontrei um de um jornalista recém-formado que publica:
“Se nada for feito, Roriz ganha as eleições... Quem não deseja a volta de Roriz precisa ficar esperto. Roriz parece ser trouxa, mas é muito esperto. Ele governou o Distrito Federal durante 14 anos. Tem todas as condições de vencer esta eleição. Abro um parêntese para ressaltar que o que estou escrevendo não é minha vontade. Muito pelo contrário. Sou contra a volta de Roriz. Na verdade, o que escrevo é simplesmente o que é. Em 14 anos de governo, Roriz acumulou votos. Muitos votos. Ele tem influência política. E se nada for feito, vai ganhar estas eleições”.
Numa análise bem óbvia do texto, tiraria o “se nada for feito”. Teria emitido opinião da mesma forma e não teria soado como um chamado à revolução. Afinal, de acordo com as últimas pesquisas, a revolução seria, inclusive, perdedora, caro José Roberto Paraíso.
O “q” da parcialidade
Me chamou a atenção a matéria publicada no site do Correio Braziliense sobre o dia dos candidatos ontem. Da jornalista Luísa Medeiros (adoro o texto dela!), uma síntese do que o veículo quer passar sobre a campanha de Agnelo Queiroz: “Como tem feito desde o início da campanha eleitoral, o concorrente ao Buriti andou pelas rua da cidade, em corpo a corpo com a população local”.
Da jornalista Flávia Maia, outra síntese: “Apesar do aparente cansaço, Roriz andou pelos corredores e estandes cumprimentando feirantes e simpatizantes. Após 15 minutos de caminhada, o candidato ao Buriti sentou para descansar”. Tai um exemplo de parcialidade jornalística: Agnelo está feliz e sempre no corpo a corpo, andando por todos os lugares. Roriz está cansado, caminha pouco.
Parabéns ao Correio!
Mel e fel
Há os que vão dizer – como alguns comentários que teimam em ser enviados em meu blog, por exemplo – que eu só mostrei casos contrários a Roriz e em favor de Agnelo. Mas foi os que eu encontrei. Talvez isso faça de mim menos petista e mais rorizista? Não sei. Avalie você, leitor. Procuro apenas ficar atento ás notícias e lê-las com olhar bem crítico.
Uma vez, uma grande amiga mandou que eu tomasse cuidado com a quantidade de fel e a quantidade de mel que eu usava para temperar meus textos. Nunca esqueci disso. Tenho essa mania de escrever, muitas vezes, de forma passional pelos acontecimentos. Se encontrar em meus textos algo que tenha extrema indelicadeza na minha “parcialidade jornalística”, ficarei feliz em ouvir as críticas.
Luz, câmera, ação...
Estamos há poucos dias do início dos programas eleitorais. Com essa campanha sem graça (não digo pelos candidatos que até tentam, mas pelas regras em si, que deixam poucas opções de apresentar propostas que não seja de forma isolada, no corpo a corpo), esse será um momento importante que que todos os cidadãos possam avaliar o que prometem seus candidatos.
Até agora, não tenho visto muito ataque entre os postulantes (salvo casos no Twitter, um festival...) e acho que Brasília pode ter, se tudo continuar assim, uma das campanhas mais limpas dos últimos tempos. Embora lá no fundo, bem lá no fundo, meu “sexto-sentido” me faça ter quase certeza que muita coisa (baixa) ainda está por vir...
A Associação Comercial de São Paulo (CASP) oferece o curso gratuito “Jornalismo bem-sucedido e os desafios da profissão”. O evento será no dia 29/07, das 8h30 às 12h, na sede da entidade. O objetivo é debater com especialistas da área o futuro do Jornalismo e suas novas ferramentas.
“O nosso propósito é oferecer um intercâmbio de idéias sobre temas que impactam no cotidiano das redações e dos profissionais que militam na área”, explica a superintendente de Marketing da ACSP, Sandra Turchi.
Os debatedores serão Moisés Rabinovici, superintendente de Comunicação do Diário do Comércio; Sérgio Tamer, diretor presidente da Tamer Comunicação Empresarial; e Myrthes Lutke, diretora da Texere Desenvolvimento Organizacional.
O número de vagas é limitado e as inscrições devem ser feitas pelos e-mails gugirotto@tamer.com.br e elisa@tamer.com.br. Outras informações pelo telefone 11-3031-2388. A ACSP fica na Rua Boa Vista, nº 51, 11º andar, em São Paulo.
As primeiras páginas dos jornais quase sempre estão ocupadas pelo noticiário mais abrangente e geral, que trata de assuntos de interesse nacional como o futebol, as eleições e a economia. No principal espaço visual dos periódicos, as manchetes, costumam aparecer com frequência os novos projetos aprovados pelo Congresso, as vitórias das grandes equipes no campeonato do momento e as oscilações da moeda brasileira no cenário global. Assuntos de enorme importância, relevantes para muita gente, possuem a preferência na estrutura jornalística, mas é indispensável dedicar-se, também, à cobertura local, que coloca o repórter em contato direto com o cidadão e ajuda a resolver alguns “menores” problemas de uma cidade, de um bairro, de uma rua.
Boa parte desse jornalismo local, na redação d’O Globo, é feito pelos repórteres dos jornais de bairro, a editoria responsável pelos cadernos regionais que o diário publica. Veiculados apenas nas localidades que abordam, estes suplementos tratam do lazer, da gastronomia e da cultura de distintas partes da cidade do Rio de Janeiro e da região metropolitana (além da Região Serrana), mas também expõem, sobretudo, as variadas denúncias de leitores e moradores, e procuram resolvê-las.
O surgimento do Eu-repórter, ferramenta participativa d’O Globo, aumentou exponencialmente a relevância e o volume das denúncias do leitor/cidadão. A internet já havia melhorado o contato entre o público e as redações; os comentários e os e-mails elogiosos, sugestivos ou críticos colaboram muito com a apuração das matérias e com a produção do jornal.
Cada vez mais o trabalho noticioso e informativo na Internet se integra ao cotidiano dos profissionais da informação. Vídeo, multimídia, animação, reportagem gráfica, notícia em áudio e reportagem online tomam conta das agendas informativas dos meios de comunicação quando se trata de transmitir a informação através das telas do computador.
O editor inglês, Alan Rusbridger, diretor do Guardian Media and News, recomendou 10 princípios básicos do jornalismo digital, durante o evento internacional "Journalism 2020", realizado em Viena em março passado.
Sobre os princípios e dicas de como fazer jornalismo na Internet, Rusbridger destacou:
1. Estimular a participação e feedback: As experiências dos e-repórteres e os serviços de fórum e comentários como plataformas de contato com os leitores
2. O meio de comunicação não é para o grupo de jornalistas, mas para os leitores: O fim é sempre o usuário, a receptor-leitor.
3. Animar outros a iniciar um debate, publicar material ou dar sugestões: Potencializar a utilização das redes sociais.
4. Ajudar a criar comunidades em torno de interesses comuns e temas de importância.
5. Ser aberto e fazer parte da Web. Não ter medo das ferramentas na rede: Uma característica crucial para o perfil do jornalista digital.
6. Reunir e acompanhar o trabalho de outros: Sempre estar atualizado em temas de interesse, enfoques e abordagens dos outros meios de comunicação.
7. Aceitar que os jornalistas não são os únicos especialistas. Há outras vozes interessantes: O usuário ativo da rede já pode participar.
8. Desfrutar, expressar e refletir a diversidade, promovendo valores comuns.
9 . Aceitar que a publicação pode ser o começo do processo jornalístico e não o final: No mundo digital tudo está em constante construção.
10. Ser franco e aberto aos desafios e melhorias, incluindo as correções, esclarecimentos e debate: Reinventar a forma de trabalhar todos os dias.
1.Estabeleça uma ordem hierárquica. Os leitores percebem rapidamente quais são as matérias mais importantes da página. As notícias principais ditam o tom da página.
2.Crie um centro de impacto visual. A imagem da matéria principal é o foco inicial de atenção dos leitores. Cada página deve ter um elemento gráfico dominante. Quase todas as páginas terão um elemento gráfico associado à matéria principal. O centro de impacto visual dá o tom da página. Se a matéria principal da primeira página é suave, os leitores automaticamente assumirão que a página inteira contém notícias suaves.
3.Organize. Os leitores estão sempre com pressa e a informação no jornal deve estar bem organizada para evitar confusão. A diagramação do jornal deve guiar o leitor ao que estiver procurando.
4.Contraste. Páginas de sucesso terão elementos verticais e horizontais. Também haverá elementos dominantes e secundários. Cada página terá uma matéria central, matérias principais e matérias secundárias.
5.Cor. A cor deve ser usada como um recurso informativo e não como decoração. É preferível usar cores apenas em fotos e gráficos. A cor também ajuda a guiar o leitor ao ler uma matéria. Os diagramadores devem usar cores baseadas em um raciocínio lógico. Lembre-se de usar cores com moderação.
6.Tipografia. Quanto maior for a variedade de letras e corpos usados, maior a probabilidade de confundir o leitor. Os editores devem investir mais tempo escrevendo as manchetes das matérias do que decidindo que tipo de corpo de letra usar no texto.
7.Surpreenda o leitor. Todos os dias o jornal deve dar ao leitor uma surpresa – uma manchete, foto, matéria, diagramação ou gráfico – que é tão extraordinária que ele desejará mostrar a surpresa para outra pessoa. O segredo: faça algo especial.
8.Rompa as regras. Regras foram feitas para serem rompidas, mas só se for por uma boa causa. Se as regras foram quebradas o tempo todo perde-se toda a coerência. Isso pode estragar a surpresa porque não há nada tradicional que sirva de comparação para o leitor. Diagramadores devem aventurar-se com as técnicas básicas. Não seja tão previsível ao ponto de ser chato.
9.Coerência. Mantenha as coisas no mesmo lugar todos os dias para que o leitor, que está sempre ocupado, não perca tempo procurando a informação.
10.Faça uma diagramação divertida. Peça a opinião de outras pessoas da redação e não tenha medo. Elabore um design simples, porem dinâmico. O conteúdo é a parte mais importante do design. Lembre-se de que o objetivo da diagramação é atrair o leitor para o interior do jornal.
O novo estúdio móvel da agência Reuters foi projetado para ser usado em condições extremas. Ele suporta chuva, insalubridade e impacto. A mobilidade do projeto permite a transmissão ao vivo de qualquer lugar do mundo.
O kit é acoplado em uma maleta que pesa aproximadamente 15kg. O sistema de transmissão é composto por uma câmera de alta definição, tripé, microfone, lâmpadas, monitor de vídeo, antena, transmissor de satélite e notebook com internet.
O International News Safety Institute (INSI) produziu um manual de segurança para jornalistas que irão atuar na cobertura da Copa do Mundo na África do Sul.
O documento apresenta um panorama da violência no país, sobretudo em sua maior cidade, Johhanesburgo, e aconselha que os correspondentes internacionais troquem informações com os jornalistas locais para questões de segurança, segundo informa a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
O manual cita dados da CIA que indicam o país como primeiro colocado em homicídios e estupros no mundo; segundo na lista de violência com armas de fogos e sequestros; e terceiro em assaltos e roubos de carros.
A cartilha de segurança da INSI trata, principalmente, de estratégias para o deslocamento em território sul-africano, mas também fornece informações a respeito de cuidados considerados secundários, como saúde e hospedagem.
"Aproximadamente 19% dos sul africanos (entre 15 e 49 anos) estão infectados com o HIV. A maior rota de transmissão é da mãe para o bebê ou sexo heterossexual", alerta o INSI.
"Não ande pelas ruas da cidade sozinho à noite e evite certas áreas de dia. Seja aconselhado por jornalistas locais. Seu hotel também dará bom aconselhamento. Não vá às cidades satélites sozinho em nenhum momento - sempre leve um guia local", adverte trecho do manual acrescentando que ficar em hotéis é uma alternativa segura, pois, em casa alugadas, "muitas pessoas são atacadas" mesmo dentro das residências.
O diretor nacional de Jornalismo da rádio BandNews FM, André Luiz Costa, explicou a assessores de imprensa reunidos em evento em São Paulo, a melhor forma de emplacar uma pauta em rádio. Costa acredita que o caminho mais eficiente é o relacionamento entre assessor e jornalista.
“O ideal é estabelecer um contato, conhecer os jornalistas, o veículo. O assessor deve levar em conta o veículo, o núcleo, a pessoa. Não existe nada que tenha mais valor do que conhecer a Redação”, explica.
Para ele, as sugestões não podem ser genéricas, nem impessoais. “Quando a pauta é muito geral, eu deleto. Hoje o que mais se vê é uma comunicação geral, não direcionada. O melhor é algo mais pessoal”.
Fonte: Comunique-se
O jornalista, responsável pela criação da BandNews, explica que o que falta a alguns assessores é saber relacionar os seus produtos/clientes, aos acontecimentos e perfil da rádio. “Se você enviar uma sugestão sobre o lançamento de um produto, cliente, será difícil virar notícia na rádio. Mas se você relacionar com os acontecimentos do dia, com o perfil na rádio ou com aquilo afeta a sociedade, então você tem boas chances”.
Costa ressalta que um principio da BandNews é ouvir a todos, sem exceções. “Nunca deixo de receber ninguém, nenhuma proposta, nenhum projeto, porque pode vir uma ideia que pode mudar a história da rádio”, afirma.
O diretor de Jornalismo participou do Papo na Redação, evento organizado pela Mega Brasil nesta quinta-feira (29/04). Costa foi mediado por Theofilo Carnier, editor-chefe do DCI.
Chris Anderson, editor da revista de tecnologia e novas tendências Wired e um dos pensadores da internet, é o promotor de dois conceitos muito caros a esse meio. O primeiro é a"teoria da cauda longa", estratégia de negócio segundo a qual a meta é vender poucas unidades de muitos e variados itens, o que substituiria o popular modelo dos best-sellers.
O segundo é o que ele chama de freeconomics ou a economia das coisas de graça, alicerçada no fato de que o custo de armazenamento e transmissão de conteúdo digital baixa cada vez mais. De onde vem o dinheiro? Do conceito freemium, junção das palavras free e premium: a maioria consome de graça ("free"), bancada por uma minoria que paga por uma versão de mais qualidade ("premium").
Ambos os conceitos foram desenvolvidos em artigos, viraram palestras e livros. O segundo surgiu recentemente em livro nos EUA e chegou neste mês ao Brasil. É Free – O Futuro dos Preços (Free – The Future of a Radical Price, no original). Nele, e na entrevista que deu à Folha por telefone, Anderson defende que, sim, diferentemente do que popularizou o economista Milton Friedman (1912-2006), existe almoço de graça – desde que a sobremesa seja bem paga por alguém.
Nos EUA, a versão eletrônica do livro ficou disponível gratuitamente por alguns dias. Agora é vendida por US$ 26,99 [R$ 50], em papel, e US$ 9,99, versão eletrônica – o audiobook em inglês continua de graça e pode ser baixado do site do autor.
No Brasil, só papel e só a dinheiro: R$ 59,90 por 88 páginas. A editora Elsevier já vendeu a primeira tiragem, de 10 mil cópias, prepara a segunda e colocou os três primeiros capítulos de graça aqui.
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Se a informação quer ser livre/de graça, por que tenho de pagar R$ 59,90 para ler seu livro?
Chris Anderson – Não tem. Poderia ir ao site e baixar o audiobook gratuitamente.
Sim, mas quem quer ler em português, caso da maioria dos leitores brasileiros, tem de desembolsar.
C.A. – Cada região tem um editor diferente, cada um tem um enfoque diferente para isso, uma estratégia própria. Nos EUA, era de graça. No Reino Unido, na Bélgica. A única parte que eu controlo é o audiobook. Eu encorajei todos os editores a dar o livro, alguns aceitaram, outros não.
Por que um editor pagaria milhares de dólares pelos direitos de seu livro, outro tanto para traduzir, mais ainda para imprimir e distribuir e finalmente daria de graça aos leitores brasileiros? Faz sentido economicamente?
C.A. – O livro trata disso extensivamente, mas sim, eu acredito que, se feita corretamente, essa ação vai levar a mais vendas do livro, não a menos. Você não precisa dar a versão física, pode dar a digital. E, se você acredita que a versão física é a premium, que as pessoas ainda preferem ler em papel por todas as razões óbvias, para manter, fazer anotações, ler na praia, então não precisa temer dar a versão digital de graça, pois será uma forma de marketing, de amostra que vai promover a física.
Em seu livro, o sr. defende que sim, há almoço de graça, no sentido de que há toda uma economia florescendo baseada em dar os produtos, e não vender. Como isso funciona no caso específico da indústria de conteúdo?
C.A. – Em primeiro lugar, não há nada de novo aí. O que está mudando é o conceito, que evoluiu de um truque de mercado para um modelo econômico. Essa mudança é impulsionada pela indústria tecnológica. A ideia de conteúdo livre tem cem anos: rádio é de graça, TV aberta é gratuita. O problema é que agora anúncios não são mais suficientes para sustentar o modelo. Daí o que chamo de freemium, onde você dá a maior parte de seu conteúdo de graça, mas reserva parte dele, geralmente a melhor parte, para os que pagam.
O sr. cita Brasil e China como a nova fronteira da freeconomics e a forte presença de pirataria nos dois países como algo positivo. Como a pirataria pode ser benéfica para uma economia?
C.A. – Pirataria é uma palavra mal compreendida. Nem todo o conteúdo distribuído dessa maneira é pirata. Alguns são, outros são "pirateados", entre aspas, por vontade dos autores, que valorizam a distribuição gratuita. Um dos exemplos que dou é o tecnobrega brasileiro. Não é pirataria, porque os autores autorizam os camelôs a reproduzir e vender os CDs sem lhes pagar nada.
Meu ponto é: conteúdo digital pode ser copiado e distribuído a um custo cada vez mais próximo de zero e, de uma maneira ou de outra, vai ser distribuído. Usar os mesmos canais de distribuição dos piratas será uma decisão de cada artista. Mas o fato é que essas são as forças motoras da atual economia, são intrínsecas à internet e à era digital e impossíveis de serem contidas. A pirataria não é boa para a economia, mas a distribuição gratuita sim, e os piratas são os primeiros a usá-la.
O sr. diz ter problemas com as palavras "mídia", "jornalismo" e "noticiário". Por quê?
C.A. – Eu sei o que "mídia profissional", "jornalismo profissional" e "noticiário profissional" significam. Mas como chamar quando isso é produzido por amadores? A maior parte do que eu leio hoje em dia está on-line e não vem desses canais. Está no Facebook, no MySpace, no Twitter, em blogs. Leio sobre amigos, família, hobbies. O que é isso? Eu não acho que a palavra "jornalismo" descreve o que está acontecendo. Acho que precisamos de novas palavras.
Ao mesmo tempo uma breve visita a sua conta no Twitter revela que o sr. segue o New York Times, a revista New Yorker e várias outras contas da chamada mídia tradicional. Além disso, seu trabalho principal vem de editar uma revista de papel, a Wired. Como o sr. concilia isso?
C.A. – Nós vivemos num mundo de hipermídia, onde não temos mais o monopólio sobre a atenção do leitor. Acho que há um papel para a mídia tradicional, mas há também um papel crescente para todo o resto. Nós vivemos em ambos os mundos. Você não vive em ambos os mundos?
Mas o sr. é o evangelista desse novo mundo e edita uma revista do velho mundo. Como concilia os dois?
C.A. – Nós usamos o modelo freemium. O que está na wired.com é de graça, faturamos um pouco com a publicidade online, e isso levanta assinaturas para a revista, que é o nosso premium.
Se o sr. me dá o conteúdo de graça online, por que eu pagarei por ele na revista?
C.A. – Porque não é o mesmo conteúdo, as palavras podem ser as mesmas, mas a revista é mais que palavras, é um pacote visual, com fotos, arte e um conceito de edição. De graça, você não tem o pacote.
FONTE: Caderno "Mais!" da Folha de S.Paulo, 30/8/2009 | Observatório da Imprensa
1. Trate sempre o suspeito como suspeito. Em vez de Fulano foi preso por matar a mãe, escreva Fulano foi preso por ser suspeito de matar a mãe, ou sob suspeita de ter matado a mãe.
2. Atribua a acusação ou suspeita ao seu autor: "Segundo o promotor, ele atirou na criança e fugiu", "Segundo a polícia, ele matou a mãe".
3. Não use condicional. Em vez de Fulano teria roubado o carro, escreva Segundo o delegado, Fulano roubou o carro.
4. A não ser que o suspeito diga para você, em entrevista, que cometeu o crime, suspeite de "confissões". Atribua à fonte: "Segundo a polícia, ele confessou".
5. Mesmo que o suspeito diga para você que cometeu o crime, trate-o como suspeito até que ele seja condenado: Fulano de tal, preso sob suspeita de matar a mãe, disse ontem em entrevista coletiva que cometeu o crime porque queria ficar com a herança.
6. Procure sempre ouvir o outro lado. Se não puder ouvir o suspeito, procure falar com o advogado. Registre no texto as tentativas: "Em depoimento, Fulano disse que roubou o carro, segundo a polícia. O delegado não permitiu que o suspeito fosse entrevistado. Ele não ainda não tem advogado", ou "A polícia não informou o nome do advogado".
7. Há várias condenações que, tempos depois, revelaram-se injustas. Mesmo o mais desgraçado réu tem direito a ver sua versão publicada. Há uma chance de ele ser inocente.
8. Não esconda a versão do acusado. Claro que a notícia é o crime, e a acusação virá antes e talvez tenha mais espaço. Mas dê tratamento proporcional à defesa.